quinta-feira, 30 de maio de 2013

Está tão linda a minha rua

EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação
Aida Viegas

Está tão linda a minha rua
Toda de verde vestida!
Esta rua tão querida
Está tão linda a minha rua
Que encantada, vi nascer
E já faz parte de mim.

Tão linda como o seu nome
Que insere tanto de belo
Quanta terra tem encanto
Quanto o homem tem de espanto
Quanto o coração humano
Tem de espontâneo e puro

Está tão linda a minha rua
Tem gorjeios, tantos, mil
E um céu pintado de anil
Que é bordado a cada instante
Por nuvens brancas que passam
Como aves que esvoaçam
E com arte, magia e graça
Vão desenhando figuras
Que vemos lá nas alturas.
Serão cavalos alados
Anjos, navios, condados?...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu, a minha mãe e “o Alzheimer”

DORES TOPETE

Vou contar-vos algumas histórias de que sou, juntamente com a minha mãe e irmão, os protagonistas.
A minha mãe vive em casa dela com o meu irmão solteiro e sessentão. Felizmente que o meu irmão existe, a não ser assim, a minha mãe teria que sair do seu ninho, como ela tanto gosta de chamar à sua casa.
Estou com ela todos os dias
Estou com ela todos os dias, preparo-lhe a medicação que é muita, escolho a roupa que veste, faço as compras, levo-a a passear, a lanchar, ao médico, trago-a para minha casa sempre que ela aceita vir, enfim, tento fazer tudo aquilo de que ela necessita. O meu irmão tem, durante a semana, uma missão espinhosa: prepará-la para sair de casa, fazer o comer, trabalho que faz com gosto, conseguir que ela coma, o que é sempre uma odisseia, fazer-lhe companhia até à hora de deitar, e vigiar o seu sono durante a noite.
Aos fins de semana, vem, ainda que contrariada, para minha casa, mas tenho que trazer o meu irmão, ou levá-la ao restaurante a almoçar com ele.

domingo, 26 de maio de 2013

Um passado com futuro?

A partir da publicação do Texto I, aos domingos, e com periocidade semanal, seguir-se-ão outros integrados numa reflexão sobre CICLOS DE VIDA. Pretende-se uma reflexão dialogante e que abra horizontes.
Caro leitor, enriqueça este diálogo, participando com um texto!
Obrigada. O trabalho poderá ser enviado para o endereço evoluircriativa@gmail.com
ou para qualquer outro dos autores do blogue.


TEXTO VII

Albertina Vaz

Deitei-me ontem a pensar que tinha de encontrar a Francisca: afinal como irá o projecto dela e do Antunes? Será que já começaram? Será que têm novidades e não querem partilhar connosco? É que o bairrocasahotel é uma ideia fascinante e eu gostava de participar nela.
Eu tentar, tentei mas não consigo contactar com eles - nada, nem ninguém! Andarão por aí, agora que o sol voltou, a desvendar algum local específico ou algum recanto escondido. Certamente teremos notícias deles dentro de algum tempo.
Nada como uma boa caminhada
para refrescar a mente
E pus-me a caminhar porque nada como uma boa caminhada para refrescar a mente e aligeirar a razão que por vezes nos conduz a caminhos tortuosos e veredas ingremes onde as escarpas se sucedem e as quedas são frequentes.
E num instante encontrei-me numa aldeia, não muito longe do centro da cidade. Ninguém! Nem mesmo uma criança a correr atrás duma bola, nem uma mulher à espreita numa janela fechada. Nem um cão rafeiro a farejar um resto ou uma galinha a debicar na terra quente. Ninguém mesmo. Era uma terra abandonada e uma estrada sem fim que terminava onde tinha começado.
Inesperado este retrato porque ainda há muito pouco cá tinha estado e a vida florescia: os campos cultivados, as flores nas janelas, os pássaros a trocar trinados de início de Primavera e de seduções repartidas…
Ao longe avistei um par de caminhantes que por ali deambulavam como eu, dando movimento ao corpo e alento à vida. Não consegui alcançá-los - a sua passada era mais rápida que a minha e desisti de os agarrar.
Tudo fechado
O posto dos correios fechado, no consultório do médico nem vivalma, a loja da Ti Emília de portas cerradas, a montra da casa de modas despida, a mercearia do António encerrada, a padaria já não funcionava, a oficina de carros do Manel estava lá mas não vi ninguém por perto.

Nos campos a erva crescia desordenada e as culturas de outrora tinham desaparecido. Nem animais se viam e aquela gente vivia da criação de gado e da pesca. Qualquer coisa de muito estranho se havia passado para aquele abandono se ter instalado de uma forma tão silenciosa e tão chocante.
Numa viela escondida, por entre a sombra das casas que quase se juntam no topo, deparei-me com uma mulher, sentada no patamar da porta, envolta num xaile cinzento. De olhos parados, fitando um ponto no infinito que mal avançava para além da parede da casa da frente, ali estava - muda, quieta, imóvel, quase parada no espaço e no tempo.
- Que aconteceu Sr.ª Maria, para onde foi toda a gente?

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A SURPRESA

José Luís Vaz


— Vocês são loucos! A vossa presença é a maior dádiva que me poderia acontecer?
— Abre, abre, abre…
Não acredito, isto é demais...
— Não acredito, isto é de mais… Então, mas serei alguma menina para receber prendas? Um computador?...
Um enorme salão acolhia uma grande família a que outra se lhe juntara, não menos, numerosa. Festejavam os sessenta e cinco anos da avó, da mãe, da irmã, da tia, da esposa e, acima de tudo, da amiga de todos e de muitas outras e outros a quem o sangue não fez falta para fazer amizade. A “cilada” bem preparada pelas amigas com a conivência de filhos e marido deixou a homenageada completamente dividida entre a perplexidade da surpresa e os momentos que haveriam de ficar gravados naquele cantinho das óptimas recordações. As amigas, conhecendo um dos seus prazeres — escrever — surpreenderam-na com um pequeno portátil que lhe permitiria “dar ao dedo” e “agarrar o momento” sempre que a sua “veia” lho exigisse. Mas a surpresa não se ficou por aqui… O abre, abre, abre, tinha uma intenção muito especial. Aquele ambiente de trabalho estava repleto de ícones. Todos, especialmente, as amigas que lho tinham oferecido, aguardavam ansiosas pela reacção da sexagenária ao descobrir o recheio do seu novo “brinquedo”. Era uma prenda de grande afectividade preparada com o sentimento profundo da amizade, da partilha do prazer, da felicidade adivinhada de quem a ia receber. E clicou “…Nunca tive muitos amigos…” Não, dizia ela:
Florbela Espanca
— Não me posso queixar… Mas que maravilha, isto é de Florbela Espanca! Ai, desculpem mas não resisto, vou ter que ler. Sempre tive medo da solidão mas a vossa presença é o testemunho vivo de que contra ela tenho lutado. Deixa-me ver este, “A amizade consegue ser tão complexa…”, é bem verdade e com alguns de vocês, quando vos conheci, nunca imaginei que algum dia pudesse criar algum tipo de cumplicidade. Delirante ia falando, ia lendo, ia comentando… E de facto, aqueles olhos brilhavam, como se fosse possível a vida andar para trás.
— Não conhecia este poema. “Autor desconhecido”!
— Meus grandes amigos, como vos estou grata. Este trabalho está uma delícia. Olhem, desculpem, mas agora não consigo parar e permitam-me o à-vontade, quase me apetecia que todos se fossem para desfrutar. Estou a brincar!... “Mal nos conhecemos inaugurámos a palavra amigo!...”Amigo” (recordam-se, vocês aí, escrupulosos detritos?)  

terça-feira, 21 de maio de 2013

TEMPO IMPOÉTICO!

Fernanda Reigota

Diz-me quem vem do norte e quem vem do sul

Gaivota, que gritas sobre o mar,
Gaivota, que erras entre bebedeiras de azul,
Conta-me quantos estão a abalar.
Diz-me quem vai para norte e quem vai para sul.

Nuvem, que caprichas formas de emoção,
Nuvem, que desenhas uma mensagem,
Inspira-me a frase certa ou a canção,
Segreda-me quem força tal viagem.

Tempo de mentira e de perversão,
Tempo de vileza e de corrupção.
TEMPO!
Tempo, cede o passo à dignidade!
Tempo, retoma a fraternidade!

Gaivota, que apregoas sobre o mar,
Gaivota, que planas entre bebedeiras de azul,
Conta-me quantos estão a chegar.
Diz-me quem vem do norte e quem vem do sul.

domingo, 19 de maio de 2013

O JOÃO E A MARIA - UMA HISTÓRIA QUASE REAL


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


A partir da publicação do Texto I, aos domingos, e com periocidade semanal, seguir-se-ão outros integrados numa reflexão sobre CICLOS DE VIDA. Pretende-se uma reflexão dialogante e que abra horizontes.
Caro leitor, enriqueça este diálogo, participando com um texto! 

Obrigada. O trabalho poderá ser enviado para o endereço evoluircriativa@gmail.com ou para qualquer outro dos autores do blogue.

TEXTO VI

Graciete Manangão

O João era viúvo, reformado dos Caminhos de Ferro (CP), ainda escorreito e de boa aparência, apesar dos 75 anos. Tinha nascido em Cacia, mas após ter perdido a sua mulher, passou a viver com um dos seus filhos, na Gafanha da Nazaré, pois a casa, terras e  parte do dinheiro amealhado, ao longo dos vários anos,  foram distribuídos pelos seus três filhos.
Começou a ir à pesca
quase todos os dias
Passado algum tempo de luto, e de atribulada adaptação à nova situação, João pensa em refazer a sua vida. Começou a ir à pesca, quase todos os dias, de manhã junto ao paredão da Barra,  e à tarde, ia ao café do senhor Hilário, para conversar ou assistir aos jogos da Sport TV.
Por vezes, ao domingo, ia almoçar fora com o filho, a nora e o neto adolescente. E, claro, era sempre o João  que pagava o almoço.
Até que um dia se cruzou com a Maria. Era uma mulher madura, bem constituída, ainda bonita, de cabelo dourado, tisnada por muito sol da beira-mar. Parecia não ter mais de 45 ou 50 anos, quando se conheceram.
Veio a saber que ela era “marisqueira”, pois vivia da apanha de bivalves e de isco para a pesca, na ria de Aveiro. De inverno, dedicava-se mais a vender peixe e legumes, no mercado da Costa Nova.
Maria não saia da cabeça de João
Maria não saía da cabeça e do coração de João. Até que um dia encheu-se de coragem e propôs-lhe que se juntassem, para conforto de um e de outro. Mas  Maria  queria muito mais. Desejava ter uma casa, maior e melhor do que aquela onde vivia. Vivia numa casa arrendada há já vários anos e sonhava vir a ter, um dia, uma casa em seu nome.
João fez-lhe várias promessas, na secreta esperança que ela não o abandonasse, na derradeira hora. Pressentindo os anseios dele, Maria exigiu-lhe que se casasse com ela e, logo que fosse possível, mudassem para uma casa mais moderna e arejada.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dor partilhada é dor aliviada


Revisitar os Provérbios e, com eles, desnudar o Presente

Conceição Cação

Era sábado. Aproximava-se o S. João. O sol, sorrindo no azul límpido do céu, convidava a um passeio.
−  Vamos às tasquinhas?
−  Boa ideia!
Mas antes uma passagem por Coimbra, as visitas no hospital.
...As visitas no hospital
Em passo apressado, ia lançando uns olhares furtivos às revistas, às flores, à exposição de pintura −  elementos inesperados, como que, num derradeiro esforço, para adiar aos nossos olhos os cenários mais pungentes.
Gratos aos elevadores, modernos e rápidos, atingimos um piso superior. E aí vamos nós pelo corredor fora. Sentada, junto da janela, a vista descansando nos perfis irregulares das serranias recortadas no horizonte, a Rita surpreendeu-nos com um amplo sorriso. Esclareceu:
− Comparada com as cirurgias que eu já fiz, (E eram tantas!) esta laparoscopia foi uma brincadeira. Conversámos longamente: dos filhos, dos netos, das férias que iam chegar, de tudo e de nada.
Na minha agenda mental figurava também a visita à Lara, uma jovem guineense. (“Que jovem era!”) Num dos pisos superiores, dirigi-me a uma enfermeira, perguntei-lhe pela Lara. Perante as hesitações dela, acrescentei: “de pele escura”.
−  Ah! Acho que é ali à frente, à direita.
"Foi tão bom ter vindo"
Fui avançando. Aqui havia mesmo hospital: membros engessados, cabeças enfaixadas,frascos de soro num gotejar interminável… E ais, muitos ais. E lá estava eu no quarto. A sobressair do branco gasto dos lençóis, um rosto negro. Mas não, não era a Lara. Era um pouco mais velha. Não recuei, ela estava sozinha, com expressão sofredora, eu estava ali, porque não tentar dar-lhe algum conforto? Senti-me inevitavelmente presa àquele olhar, difícil de definir −  não era de súplica, talvez de esperança e, ao mesmo tempo, de acolhimento. Encurtei a distância e, embora um pouco amedrontada pelo sofrimento, falei-lhe. Por entre a timidez do meu discurso, ela repetia, vezes sem conta: “Obrigada, irmã.” ,“Foi tão bom ter vindo.” , “Foi Deus que a enviou.”, “Já me sinto melhor”… Do pouco que me contou sobre ela, retive o facto de que se encontrava sozinha em Portugal e residia algures longe de Coimbra. Familiares e amigos ausentes. Estava, agora, mais serena; o corpo, torturado, parecia querer render-se ao cansaço. Afastei-me a custo. Teria lá ficado por muito mais tempo, mas a gestão das horas obrigava-me a despedir-me.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A importância da cor e a crise que atravessamos


Dores Topete

Vejo tudo a preto e branco
Vejo tudo a preto e branco, ou vejo tudo tão cinzento. Estas são expressões que surgem com alguma frequência, vindas de pessoas deprimidas, ou cujas vidas se encontram num impasse. São por isso expressões de desânimo, tristeza, de falta de esperança.
A cor é realmente uma das molas que nos move, que nos faz gostar de viver ou não, de sentir ou não prazer pelo que possuímos e vivemos.
A cor é realmente importante na nossa vida.
Olhar o alaranjado intenso do pôr do sol dá-nos tranquilidade, receber um ramo de rosas vermelhas diz-nos muito do amor de quem no-las oferece, receber ou oferecer a alguém um ramo colorido de flores campestres faz-nos sentir felizes, andar pelas ruas com “gente” vestida das mais variadas cores faz-nos sentir leves, realizadas e a gostar de viver.
A vida, quando vista a cores
é divertida
E que dizer ao contemplar uma mesa bem-posta, com pratos de comida decorados a vermelho pimento, verde alface, cinzento brilhante do peixe, o brilhante dourado de um copo de vinho. Que bom que é…
A vida, quando vista a cores é divertida, aconchegante, traz-nos entusiasmo e saúde.
No momento de crise por que passamos, temos infelizmente poucas razões para descortinar o colorido da vida. Esta apresenta-se muitas vezes cinzenta, não de um cinzento brilhante que nos pode empolgar pelo seu brilho, mas de um cinzento pardo, sem vida, a que falta o entusiasmo e em que sobeja a preocupação e o desalento.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Precisamos urgentemente de ser….


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Filipe Tavares
Afinal precisamos de ser;
Eu e tu capazes de nos abraçar

Ser o quê ???
Ser.
Apenas e só Ser…
Sem a bajulice das pulseiras
do telemóvel e do computador…
sem a necessidade do shot ou da cerveja
sem máscaras de sms faces e avatares
sem malas e marcas
sem relógios e anéis
sem carros e peles e cavalos vapor…
sem casas…quadros, tapetes e carpetes
sem bibliotecas,
estantes, livros às pilhas, novos por estrear
apenas para decorar….
Sem Doutores, Mestres,
e outros nomes que parecem ser parte do eu…
Afinal, precisamos de ser;
Eu e tu capazes de nos abraçar
de sorrir e de olhar
Olhos nos olhos
e ver a imensidão
Que o amor que nos gerou
Faz de nós o elo mais forte da humanidade….
A ti, que ousas ser mais
Que ousas abrir o coração
Que acreditas no impossível
Porque és paz, amor e dom de felicidade para aquele que olha para ti!!!"

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cumplicidades

A partir da publicação do Texto I, aos domingos, e com periocidade semanal, seguir-se-ão outros integrados numa reflexão sobre CICLOS DE VIDA. Pretende-se uma reflexão dialogante e que abra horizontes.
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TEXTO V
Albertina Vaz

Vamos chapinhar num charco de água
Uma poça de água no chão espelha as pontas esguias das árvores onde as folhas começam a rebentar. Há flores por toda a planície e sabe bem pressentir o renascimento que se aproxima. Quem dera que o sol apareça! Faz-nos falta sorrir ou fazer sorrir uma criança…
Anda, vem comigo, anda daí: vamos chapinhar num charco de água e rir quando nos molharmos e os pingos da lama nos sujarem o vestido que já não vestíamos desde o ano passado. Está frio, eu sei! Mas vamos lá, saborear a água, como quando eu era menina e saía de casa a correr – porque eu podia correr na rua, sabes – e vamos sujar os sapatos e pegar na lama e pintar a cara e fazer asneiras… Só hoje que a mãe não vê!
Anda, vem daí: vamos correr pela praia e atirar areia ao ar e sentir o cheiro a maresia e os pingos das ondas que rodopiam no mar. Vamos senti-las e lamber os braços que sabem a sal e correr, correr – espera por mim, que me dói… eu vou já! Espera aí! Que bom sentir a tua mão na minha e a outra a limpar-me o sal da água e os salpicos das ondas.
Vamos construir um castelo de areia
Vamos construir um castelo de areia: vamos fazer um grande monte e depois dar forma às ameias e fazer um fosso a toda a volta – eu sei, eu sei – uma ponte para a princesa sair ou para o príncipe entrar. Sim, vamos pôr uma bandeira lá na torre mais alta: isso, traz esse pauzito da duna e vamos fazer um desenho neste lenço. Que lindo: esvoaça com o vento. Vamos apanhar conchinhas e fazer uma muralha de rendas à volta das janelas. Olha a bandeira, parece uma nuvem branquinha a descer, a descer e a desfalecer-se lá longe no horizonte, perto do mar…
Deitarmo-nos na areia húmida? Mas depois ficamos todas ensopadas… Vamos lá, tens razão: vamos fazer tudo o que é proibido, hoje! Que lindo o céu – está cheio de nuvens! A correrem dum lado para o outro: aquela parece que sopra nas outras todas. O quê? Achas que sim? Estarão mesmo a brincar às escondidas? És capaz de ter razão…Aquela é um urso? Será? Dizes que vai a correr atrás da menina? Mas eu não vejo menina nenhuma… pois é, já não vejo muito bem! Gosto que vejas por mim: ensinas-me o que eu já não consigo ver.

sábado, 11 de maio de 2013

A Formiga Rabiga


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Lindonor Silveirinha


O formigueiro contava com mais uma formiguinha. Mas, no meio de todas as outras, a nova formiguinha era diferente. É difícil dizer porquê, mas a verdade é que tinha uns olhos maiores e mais brilhantes, mais salientes e movia-se com mais rapidez, sempre a olhar para todos os lados, querendo ver tudo ao mesmo tempo.
Como vocês sabem, as formigas vivem em formigueiros debaixo da terra e só cá vêm acima para procurar comida que transportam às costas para o formigueiro. Caminham sempre em filas, umas entrando, outras saindo do formigueiro.
É muito engraçado observá-las, porque elas marcham como guerreiros de um exército e têm uma missão bem definida: transportar comida para o formigueiro, para alimentar aqueles milhares de formigas que estão constantemente a nascer.

Também como guerreiros, elas têm os seus postos e tarefas: a rainha só põe os ovos que
A formiga Rainha
vão dar origem às novas formiguinhas de entre as quais, de vez em quando, sairá uma rainha. As outras são as obreiras que se encarregam de todo o trabalho
Há várias espécies de formigas. Algumas tão grandes e carnívoras que são capazes de devorar um animal cem vezes maior do que elas. Há outras no Brasil que roem a madeira e, se uma casa for feita desse material, acaba por cair. Talvez por isso, não seja assim uma admiração tão grande que elas, mesmo as mais pequenas, muitas vezes transportem pesos muito superiores ao seu tamanho e, por isso, desenvolvem um extraordinário trabalho de equipa, em que se ajudam umas ás outras.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Guarda o que não presta, porque te pode vir a ser preciso.


Revisitar os Provérbios e, com eles, desnudar o Presente

Júlia Sardo
Também fui revisitar os provérbios e tentar tirar deles alguma lição para os dias que vivemos.
Como é costume, vou à escola buscar os meus netos, no fim do tempo letivo. Está um dia de chuva, terrivelmente dolorosa de aguentar. É o tipo de chuva miudinha, que só aborrece e faz uma humidade horrível.
Quem dá sugestões?
Quando chegámos a casa, e depois de merendarem, fizeram os trabalhos de casa; para não irem logo para a televisão, como é hábito, planeámos um passatempo diferente.
Então eu perguntei-lhes:
– Quem dá sugestões?
O Martim foi o primeiro a lembrar-se de um lugar que me é muito querido.
– Ó, vovó, e se fôssemos para o quarto da escada fazer alguma coisa? Estás sempre a dizer que ele te traz belas recordações…
– Boa. Diz o Levi.
– Ó meninos, eu sugiro ainda mais; por que não vamos até ao sótão bisbilhotar alguma coisa? Pode ser que tenhamos algumas surpresas.
– Ó, vovó, e consegues subir as escadas?
– Vou tentar subir degrau a degrau, agarrando-me ao corrimão.
– O que é o corrimão? Pergunta o Levi.
– É aquela parte de madeira onde as pessoas se podem segurar – explica o Martim.
Lá subimos devagar, sendo eu a última. Quando chegámos, foi uma explosão de alegria.
Baús e malas de cartão antigos
Como só tínhamos a luz da claraboia, foi um pouco difícil começarmo-nos a habituar à penumbra.
Depois de nos termos habituado, foi um tal descobrir baús e malas de cartão antigas.
– Ó, avó, posso abrir esta mala para ver o que está dentro?
– Claro que podes. Tem cuidado ao abrires, pelo tempo que estiveram fechadas, deve ser difícil.
O Martim abriu o baú e explodiu de alegria.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O MEU POEMA


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Graciete Manangão

Quero devorar
A vida
Não quero
Que a morte me devore
Não quero viver
Morrendo…
Quero devorar
A vida
Antes que a morte
Sempre mais forte
Me devore
Quero vencer o tempo
Não quero
Queimar  horas
Num tempo vazio
Quero vencer o tempo                          
E viver, viver!
Quero devorar
Os tempos
Do meu viver.
Saboreando rosas e rochas
Calcando montes e pontes
Semeando beijos e desejos
E mais, muito mais,
Cada vez mais
em cada hora que passa
Sem eu saber…

E antes que o tempo
Devore a minha vida
Quero vencer
o tempo
Feito de terra e de pó.
Sim, quero viver!


Mãe?!


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação

Daniel Vaz
Afinal de contas qual é a importância que uma Mãe tem numa vida?!
Tudo bem… é dela que nascemos… e nos primeiros tempos é ela que nos alimenta e está connosco quase que vinte e quatro horas por dia! Sim, eu sei que se torna chata quando nos está sempre a querer lavar, dar de comer, adormecer, lavar, dar de comer, adormecer e essas coisas intermináveis que um bebé recém-nascido já aprendeu. Mas o que é que se pode fazer?…
Lavar, dar de comer, adormecer...
Ela gosta de nos mimar e nós fazemos o sacrifício! Ok! A importância da Mãe na nossa vida é termos alguém que nos mime!
Mas afinal de contas para que serve a Mãe?!Um dia, quando era pequenino e queria ser grande, caí de bicicleta e foram dar comigo a gritar pela ”minha Mãe!!!”… Por que raio quando temos um problema chamamos pela minha Mãe?! Quer dizer… cada um chama pela sua… sim porque a minha é minha e de mais ninguém!!! Quer dizer… a minha também é Mãe de uma croma que é a minha irmã. Como ela diria:  “filha não, senhora professora, que só sou filha da minha Mãe!” Palavras sábias…Chamamos pela Mãe a toda a hora e a todo o momento e até quando queremos ofender alguém lhe chamamos pela Mãe… Será que é para isso que serve a Mãe?!
Ok! Chamamos por ela sempre que temos um friozinho no estômago, é isso! Sempre que como gelado lembro-me portanto da minha Mãe!

Mas afinal de contas o que é ser Mãe?!Bem… eu não sei porque não sou Mãe… mas a Mãe da minha filha disse-me, quando a minha filha saiu da sua Mãe, que “é um sentimento indescritível ser Mãe!”. Bem… eu não sei, tenho que confiar na palavra dela, mas sendo assim, a minha Mãe também deve ter ficado muito feliz quando eu nasci! E acho que ficou tão feliz que nem foi votar…Ok! Ser Mãe é isso! Ter filhos em dias de eleições e não ir votar!
Mas afinal de contas o que fazer com a Mãe?!Quando nascemos ninguém nos dá um Manual de Instruções da Mãe… e não entendo o porquê!? Cedo entendemos o que fazer com a mama, mas e as outras coisas?! Será que temos que aprender com a vida!? Que seca levar a Mãe ao limite sem saber qual é o limite dela…De início é fácil… basta mantê-la por perto e tudo corre bem!

domingo, 5 de maio de 2013

Mãe


Albertina Vaz

Não há mais nada - nem ninguém.
É um sonho, é um sopro, é um grito! É um ser pequenino – saído de dentro de ti – quando tudo à volta parece ter parado: e parou mesmo. Não há mais nada – nem ninguém. Tudo gira à volta de um querer que transforma um amor – de dois em três – de três em quatro…
Depois, depois é um susto: estará bem, que terá acontecido, que fez desta vez? Mas é também um olhar sereno, uma corrida à beira-mar, um aprender, um partilhar, um dar, um acreditar, um fazer crescer.
Os primeiros passos: os sapatos que se guardam, as letras que se aprendem, as palavras que se escondem, a gaivota que voa no espaço, as canções! Sim, as canções que se cantam numa roda – redonda – com gargalhadas soltas no vento.
Um deixar cair e saber que vai cair. Um estar ali: levantar do chão, apertar junto ao peito, continuar a caminhar. Olhar um voo arriscado e sentir o coração pequenino, a apertar, a doer – querer dizer não, quando se sabe que não vai dar certo, e abençoar a queda.
Ser o tapete que amortece; ser a casa que sempre acolhe; ser a mão que sempre se estende. Um adeus, um até logo, um até sempre!


E quando nada mais resta um querer que continues dentro de mim, minha mãe!


sábado, 4 de maio de 2013

A MINHA MÃE


EVOLUIR agradece ao autor o envio deste texto para publicação


Maria Celeste Salgueiro
Foi-se-me a luz que em vida me guiou

Foi-se-me a luz que em vida me guiou,
A luz que Deus me deu p´ra me amparar;
Que meus passos de infante acompanhou
E me ensinou a ver e a falar.

Foi-se-me essa voz meiga que embalou
Meus sonhos de menina a despontar;
Sorriso que os desgostos confortou,
Regaço onde eu podia descansar.

Foi-se-me uma afeição como não há
Uma outra assim tão grande nesta vida;
Amor que nada pede e tudo dá!

Foi-se-me a minha luz e o meu bem
E agora ando sem ânimo, perdida,
Porque tu me deixaste, minha  Mãe!

Quem dá aos pobres empresta a Deus


Revisitar os Provérbios e, com eles, desnudar o Presente


Dores Topete

Este é um provérbio de grande força espiritual para as pessoas que creem em Deus e não só.
2 milhões de pobres
A grave crise económica por que estamos a passar no nosso país, com uma taxa de pobreza que é mais elevada que a média da U.E.,( temos cerca de 2 milhões de pobres em Portugal), com tendência para aumentar se continuarmos com o elevado índice de desemprego, leva a que, cada vez mais, haja necessidade de entre ajuda por parte de quem pode.
Dar um pouco daquilo que possuímos para ajudar alguém que precisa, é um gesto de amor que se traduz não só em palavras mas também em ações.
A igreja católica, através das suas instituições tem promovido e dinamizado a ação social.
Exemplo disso é o trabalho desempenhado pela Caritas portuguesa, que tem desenvolvido ao longo dos tempos campanhas de angariação de fundos, traduzidos não só em dinheiro, mas, muito especialmente, em bens de consumo tão necessários no momento terrível que as populações mais carenciadas tanto precisam.
O último peditório que a Caritas levou a efeito junto das populações, (com resultados inferiores), já traduziu a carência que os portugueses estão a sentir.
Solidão - uma palavra com história
O que os nossos pais nos ensinam e transmitem em crianças é de uma importância vital para o futuro e para o tipo de vida que optamos por levar. Os valores morais e éticos, que nos passam, servem para que saibamos respeitar e ajudar os nossos semelhantes.
Fui educada em casa e na catequese a acreditar em Deus, e que as boas ações praticadas teriam sempre a sua recompensa. Por isso acredito e sigo este provérbio.
Acredito, também, que as pessoas, ligadas ou não a outras religiões, sigam o mesmo lema, ou seja, ajuda no que podes para seres também ajudado.

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